Verso
Herança escura
No livro: "Chego em 1, dois, 3"
Herança escura
Serpenteias veneno,
te arrastas...
e contigo, as maldições.
Carregas os presságios
que se cumprirão
naquela mulher sem condições.
Seu sono não é leve...
o ódio pesa.
Tens pressa,
deslizas por suas pernas,
a percorres
e cravas tua peçonha no colo
de sua condenação aglomerada.
O que se derrama sobre o travesseiro
são lágrimas e medo.
Serpente barrenta,
que te alongas e te engrossas
no lastro de suas verdades pecaminosas.
Em seu último suspiro,
os rancores, mentiras e traições
para que as novas gerações
completem a prova.
Limbo em pena, sem destino:
haverás de arder entre chamas;
no céu não há lugar nem estadia
para tua boa-vinda.