Ateliê
O nó da árvore se desata
2026 · Ficha técnica da obra Título: O nó da árvore se desata Autores: Gloria Angélica Saggiorato – SAGGLO Federico Dutto Técnica: Desenho linear do menor, Federico, e pintura acrílica de Gloria. Estilo: Figurativo-abstrato contemporâneo de caráter simbólico Temática: Memória familiar, infância, herança emocional, segredos geracionais e libertação.

O que sentiu
O nó da árvore se desata propõe uma viagem ao interior da memória familiar. A figura da árvore funciona como símbolo da linhagem: seu tronco guarda marcas, experiências e silêncios que, como seus anéis, foram se acumulando ao longo do tempo.
No centro da composição, o nó se transforma em um núcleo de memória. Os azuis, turquesas e verdes concentram ali o olhar e contrastam com o desenho linear que percorre o resto da árvore. Esse pequeno universo de cor parece conservar algo vivo em seu interior: uma história que permaneceu contida e que começa a se revelar.
Os círculos concêntricos que rodeiam o núcleo evocam os anéis do tempo e as distintas gerações. Através deles, a menina desce simbolicamente até as raízes de sua própria história. Não se trata de regressar ao passado para permanecer nele, mas de atravessá-lo, reconhecer aquilo que foi calado e compreender o quanto dessas experiências continua habitando o presente.
As formas irregulares que percorrem o tronco sugerem fragmentos de lembranças, vínculos, perdas, segredos e emoções herdadas. A árvore aparece assim como um grande corpo familiar que conservou em seu interior aquilo que cada geração deixou marcado.
Mas o nó começa a se desatar. O oculto encontra uma saída; os silêncios adquirem voz e aquilo que permaneceu aprisionado pode ser olhado a partir de outra consciência. Desatar não significa apagar a história, mas compreendê-la para deixar de ficar preso nela.
A obra converte então a árvore em uma metáfora de transformação: descer até o coração da memória para reconhecer as raízes, libertar os segredos e permitir que uma nova história possa começar.
Significado
O nó da árvore se desata
O coração da árvore
Teus cabelos voam ao vento,
cativos em pensamentos encaracolados.
Menina que olhas para o alto…
só te guia a hora cobalto.
Deves ser discreta,
queres dissipar
o que a mais ninguém inquieta.
Tu e tuas perguntas
habitam esse lugar, teu lugar.
No franzir da casca,
labirintas
cada anel do tempo.
Uma porta entreaberta
te detém…
mas também te convida a entrar.
O arrepio é um invólucro
que te oprime o peito
e o tremor em teu corpo
traz presságios
que hão de cumprir-se já.
Misteriosamente…
emergem respostas
de suas raízes...tuas raízes.
Aquela peçonha
havia envenenado a seiva
da árvore familiar,
e o ódio
pesou demais.
O ardor converteu em cinzas
os rancores, mentiras e traições.
O lastro dos pecados
já não condena...
já não enlameará
as gerações vindouras.